Para transportar o espectador para a atmosfera pretendida por um diretor de cinema, poucos recursos tecnológicos se mostram tão eficientes como o surround. Várias técnicas podem ser utilizadas para passar ao ouvinte a sensação de que o som vem de diferentes posições ao seu redor, ou mesmo viaja de um ponto a outro, e uma das mais populares é a mixagem em 5.1., que utiliza cinco canais full-range (com faixa plena de frequência), e um subwoofer (subgrave).
No cinema, a mixagem se faz através de um processo complexo, que exige um estúdio especializado, geralmente separado dos demais, e equipado especialmente para este tipo de trabalho. Ela costuma ser planejada por um designer, que faz anotações no roteiro sobre como os sons devem ser conduzidos. Atualmente, o processo é executado por softwares, e o resultado gravado em um formato digital, do qual as trilhas são derivadas.
A mixagem 5.1 é feita através da disponibilização dos sinais gravados em cinco canais. Os tradicionais LR ( Left/Right ), utilizados no estéreo, além de um canal central, um surround L e um surround R, reservando ainda um canal próprio para os subgraves (geralmente abaixo de 80Hz). Essa distribuição é feita de maneira estratégica, com o canal central destinado aos solistas, para garantir a sua imagem bem definida no centro, ou para diálogos, no caso dos filmes. Os laterais são geralmente reservados para trilhas sonoras e instrumentos musicais, e os traseiros para a ambientação e efeitos sonoros.
Engana-se, porém, quem imagina que a mixagem surround encontra utilidade apenas em projetos onde o áudio é coadjuvante da imagem. Seu potencial é aproveitado em diversos trabalhos de gravação em que se prioriza a pureza do som ou se pretende destacar determinado instrumento, melodia, sonoplastia ou voz.
O fantástico mundo surround da Disney
Embora seja ainda mais antiga a ideia de envolver o espectador de cinema em uma experiência auditiva espacial, o som multicanal foi utilizado pela primeira vez em 1940, no filme Fantasia, dos estúdios Disney. O projeto batizado de Fantasound envolvia nove canais, oito para áudio e um para o sincronismo. Fazer o som viajar no espaço era um dos principais objetivos de seus criadores, e para isso foi utilizada uma técnica chamada “panning“. O deslocamento é conseguido mudando o som de um canal para outro até criar a ilusão auditiva de movimento.
Boa parte da mixagem do filme foi feita no momento da projeção, o que tornava esse método muito mais dispendioso. A maneira de obter o som multicanal foi aperfeiçoada graças ao seu sucesso com o público, que nesta época tendia a abandonar as salas de projeção com a popularização dos televisores.
Treinamento em Mixagem 5.1
O IATEC oferece no dia 03 de dezembro um treinamento intensivo em Mixagem 5.1, ministrado pelo experiente engenheiro eletrônico Fábio Henriques. Para mais informações e inscrições clique aqui.







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